2025 mudou o jogo. Em 2026 se dará bem quem entender as novas regras
O ano de 2025 chega ao fim marcado por muitas transformações no mercado financeiro e no setor de meios de pagamento.
A combinação entre avanços tecnológicos, novos marcos
regulatórios e um cenário global mais competitivo redefiniu prioridades e
acelerou movimentos que vinham ganhando força nos últimos anos. Em meio a
mudanças estruturais, o setor caminhou para um modelo mais integrado, baseado
em dados, automação e liquidação digital.
A nova era dos pagamentos
O avanço da digitalização nesse ano reforçou o papel dos pagamentos
instantâneos e das carteiras digitais como importantes canais de
acesso dos consumidores aos serviços financeiros. Relatórios globais mostram
que esses meios de pagamentos já figuram entre os mais utilizados no comércio
eletrônico e em transações cotidianas de baixo valor.
Em resposta a essa expansão, bancos, fintechs, varejistas e
big techs ampliaram significativamente as funcionalidades desses meios de pagamentos.
De acordo com análises da McKinsey e da GSMA, essas plataformas evoluíram para ecossistemas
integrados, concentrando operações como crédito instantâneo, recompensas,
seguros, parcelamento e gestão de recorrências.
No Brasil, esse movimento fica evidente no salto do volume
de pagamentos digitais e do Pix. Relatórios setoriais indicam que o uso do Pix
cresceu de forma acelerada em transações de baixo valor e também em fluxos
empresariais, como pagamentos recorrentes e rotinas operacionais, reforçando a
tendência de que meios digitais de pagamento se consolidaram como porta de
entrada frequente para o relacionamento financeiro no dia a dia.
Criptoeconomia e tokenização
Ao mesmo tempo, as stablecoins ganharam um
protagonismo que deixou de ser mera especulação. Empresas passaram a
utilizá-las para pagamentos internacionais, liquidação B2B e remessas, enquanto
instituições financeiras exploraram sua integração com a tokenização de ativos.
O debate regulatório avançou no Brasil, discutindo requisitos de lastro,
governança e transparência. O país se manteve como um dos mercados mais
avançados do mundo na construção de um arcabouço para ativos digitais — uma
evolução que gerou impacto direto na forma como pagamentos e infraestrutura
financeira são pensados.
A tokenização de ativos, por sua vez, deixou a fase de prova de conceito e passou a ganhar escala em 2025. Títulos, recebíveis e ativos financeiros diversos foram migrando para plataformas distribuídas, abrindo espaço para liquidações programáveis, maior rastreabilidade e novos modelos de crédito. A interoperabilidade entre sistemas bancários tradicionais e redes tokenizadas se tornou um tema dominante entre instituições e reguladores.A tokenização de ativos, por sua vez, deixou a fase de prova de conceito e passou a ganhar escala em 2025. Títulos, recebíveis e ativos financeiros diversos foram migrando para plataformas distribuídas, abrindo espaço para liquidações programáveis, maior rastreabilidade e novos modelos de crédito. A interoperabilidade entre sistemas bancários tradicionais e redes tokenizadas se tornou um tema dominante entre instituições e reguladores.
IA para o bem e para o mal
Outro vetor estrutural de mudança foi o avanço da IA
generativa aplicada ao core financeiro. O setor adotou sistemas de
inteligência para prevenção de fraudes, avaliação de risco, automação de
atendimento e personalização de ofertas. A eficiência operacional tornou-se
imperativo, especialmente entre fintechs pressionadas por rentabilidade e por
um cenário competitivo mais exigente.
Apesar dos avanços, 2025 também expôs fragilidades. A
sofisticação das fraudes — muitas impulsionadas por deepfakes — demonstra a evolução
dos fraudadores, que agora combinam engenharia social com IA para simular
identidades e enganar controles de segurança. Isso tensionou a confiança dos
usuários e exigiu reforço de camadas de segurança. A crescente dependência de
grandes plataformas tecnológicas levantou questionamentos sobre concentração e
riscos operacionais.
A regulação avança
No campo regulatório, além das normas para ativos
digitais, o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional trabalharam em
ajustes no ecossistema de pagamentos, iniciadores de transação e
interoperabilidade entre plataformas. O Open Finance ganhou novos
contornos com debates sobre expansão de escopos, integração com IA e protocolos
de identidade financeira — todos com foco em criar um sistema mais aberto,
competitivo e transparente.
O que esperar em 2026
Com esse cenário, 2026 se desenha como um ano crucial. A
convergência entre stablecoins reguladas, tokenização de ativos e pagamentos
programáveis promete remodelar fluxos financeiros, criando sistemas
híbridos capazes de operar tanto em infraestruturas bancárias tradicionais
quanto em redes distribuídas. A expectativa é que pagamentos internacionais
ganhem velocidade semelhante à do Pix, impulsionando comércio global e
remessas.
Modelos de crédito baseados em dados devem avançar com mais
força, integrando Open Finance, IA e análise dinâmica de risco. Ao mesmo tempo,
RegTechs devem ganhar protagonismo com supervisão algorítmica e trilhas
auditáveis de IA estabelecendo padrões de governança mais robustos.
Se 2025 foi o ano em que o setor financeiro ajustou suas
bases tecnológicas e regulatórias, 2026 tende a ser o momento da
consolidação — quando o digital deixa definitivamente de ser camada e passa
a ser infraestrutura. E nesse ambiente, as instituições que melhor
compreenderem a interconexão entre blockchain, dados, regulação e inteligência
artificial serão as que definirão o próximo ciclo de crescimento do mercado
financeiro e de pagamentos.